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NEGÓCIOS E ECONOMIA

15/03/2017

Exportações de café português subiram 21,5% em 2016

Torrefatores antecipam novo crescimento em 2017, quer no mercado interno, quer no externo, graças ao aumento do consumo asiático.

Portugal exportou mais 21,5% de café em 2016, em comparação com o ano anterior, e este ano deverá continuar a aumentar as vendas de cafés, torrados e não torrados, graças ao aumento do consumo em novos mercados na Ásia. Também o mercado interno cresceu, no ano passado, quer no consumo em casa – em que as cápsulas continuam a ganhar terreno -, quer no consumo fora do lar. “Começam a abrir “coffee shops” em que a experiência do café é mais do que tomar uma bica.

Há uma procura da experiência e de valorização do momento do consumo”, revela Cláudia Pimentel, secretária-geral da Associação Industrial e Comercial do Café (AICC). A organização reúne, esta tarde, em Lisboa, para analisar as novas tendências de consumo e o novo perfil do consumidor global de café, em cenário de otimismo para os cerca de 60 torrefatores portugueses.

“As vendas de cápsulas em Portugal cresceram acima da média europeia, mantendo a tendência que nasceu com a crise, altura em que muitos deixaram de beber café fora de casa para poupar, mas nota-se que também já cresce o consumo fora de casa. Há um crescimento do mercado, em Portugal, mas também no estrangeiro”, nota a responsável da AICC, que lança hoje o novo portal www.theportuguesecoffee.com.

Em 2016, o mercado nacional cresceu 3,7%, depois de ter crescido 4% em 2015. No ano passado, o nosso país consumiu 28 mil toneladas de café, das quais 54% corresponderão a consumo doméstico e 56% foram vendidas em supermercados. “Os dados da Euromonitor não incluem o consumo institucional ou em ambientes fechados de consumo, como escolas, hospitais e empresas, e há outros dados da Nielsen que apontam para um consumo fora do lar de cerca de 60% que acreditamos estar mais próximo da realidade”, sublinha Cláudia Pimentel.

No estudo da Euromonitor que será apresentado esta tarde, os mercados asiáticos da China e do Japão surgem como potenciais clientes para os melhores cafés portugueses. “Estamos convictos que as exportações vão continuar a crescer este ano, embora talvez não ao ritmo do ano passado”, disse Cláudia Pimentel, confirmando aqueles destinos asiáticos como clientes do café nacional.

Na Europa, os mercados de café que mais crescem são os da Alemanha (+9%), da Itália (3,6%) e da França (2,9%). Em 2016, a Europa consumiu 2,2 milhões de toneladas de café, venderam-se 31,2 milhões de máquinas de café e as lojas especializadas em café registaram um volume de negócios de sete mil milhões de euros. A maioria o consumo registou-se na Europa Ocidental, onde o crescimento de mercado foi nulo, sendo compensado pelo crescimento de 1,2% nos mercados de Leste.

Cápsulas mistas

Quanto ao comportamento do café de cápsulas, a nível mundial foram responsáveis por 23% das vendas de café, sendo a representatividade de 34% na Europa de Leste e de 13% na Europa Ocidental. Em todas as máquinas de café vendidas na Europa em 2016, 42% era de cápsulas, 10% de café expresso, 34% de café de filtro e 14% de outros tipos. Em 2021 deverão existir mais de 16 milhões de máquinas de café de cápsulas na Europa.

Em Portugal, as vendas de cápsulas continuam a subir acima da média europeia (29% em 2016) e podem mesmo chegar a 33% em 2021. É também um dos mercados onde mais máquinas de cápsulas se vendem na Europa: em 2016, 84% das vendas de máquinas foram desse género. As cápsulas são já o sistema de 59% dos portugueses que possuem máquina de café. “As cápsulas crescem muito na Europa do Sul e de Leste, nem tanto a Norte, onde se mantém a preocupação ambiental e há a preocupação com o desperdício das cápsulas que vai acabar com o crescimento do produto. Sei que há marcas já a trabalhar numa segunda geração de cápsulas compostáveis, isto é, que se degradam no lixo”, revelou Cláudia Pimentel.

Novos consumidores Beber café já é mais do que tomar uma bica, a correr, a caminho do trabalho. Os novos consumidores procuram café sem ingredientes artificiais ou adicionados e de baixas calorias, nota o estudo da Euromonitor, citando o “potencial para o artesanal e para o natural”.

O maior mercado europeu de casas especializadas em café é o do Reino Unido (2,7 mil milhões de euros), seguindo-se a Alemanha (cerca de 750 milhões de euros) e a Rússia (pouco mais de 500 milhões de euros), mas o crescimento destes mercados em 2016 atingiu, respetivamente, 7%, 3% e 5,8%, ultrapassando o dos estabelecimentos de “fast food” (2%) e dos cafés tradicionais (0%).

Em Portugal, o gasto em casas especializadas em café ainda é baixo – menos de 3€ per capita anualmente, em comparação com a média de cerca de 12€ na Europa Ocidental – mas a responsável da AICC não tem dúvidas que irá crescer. “Já surgem marcas de café artesanal que representam o produto personalizado e permitem uma experiência, uma viagem através dos sabores que variam conforme o local onde cresceu. Só há duas variedades de café (robusta e arábica), mas o sabor varia imenso conforme a altitude, a humidade, as próprias culturas vizinhas, portanto há aqui um mundo para explorar”, rematou.

Fonte: http://www.portugalglobal.pt/PT/PortugalNews/Paginas/NewDetail.aspx?newId=%7b8A27B9F3-ECCD-424E-8053-8E3CC3CA9718%7d



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