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MUNDO

16/07/2019

Teatro Municipal do Rio chega aos 110 anos com a ópera ‘Fausto’ no palco e uma sinfonia de dramas nos bastidores

Palco mais importante do país enfrenta redução do orçamento, problemas de manutenção e de pessoal

 

RIO - O velório de João Gilberto precisava de um cenário à altura do homenageado. Natural, portanto, que fosse o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Na cerimônia pública de despedida, na segunda passada, integrantes do coro e da orquestra da casa foram até o foyer e acompanharam os presentes em emocionante interpretação do clássico “Chega de saudade”. Músicos e cantores unidos à massa no tributo improvisado estavam trabalhando desde cedo no palco mais importante do país. Ensaiavam “Fausto”. A ópera do compositor francês Charles-François Gounod (1818-1893) será encenada às 17h deste domingo, como ponto alto da programação de portas abertas organizada para celebrar os 110 anos do  Theatro  (a antiga grafia ainda permanece na fachada). O aniversariante de hoje é assim: ora abriga momentos sublimes, como o espontâneo réquiem para João Gilberto ou uma ópera  au grand complet , com coro, orquestra e balé, ora desce ao inferno de onde veio Mefisto, diabólico personagem da peça de Gounod.

Até o dia 26, “Fausto” terá sete récitas. Hoje, os solistas são Attala Ayan (Fausto) e Gabriella Pace (Marguerita), nomes brasileiros do bel-canto com sólida carreira internacional, além do chileno Homero Pérez-Miranda (Mefisto).

— Quando montei “Fausto” no Teatro Amazonas, ano passado, queria ter trazido o Attala, não consegui, mas seguimos falando. Agora, ele abriu mão de compromissos mais lucrativos e veio de Munique, onde cantou com Plácido Domingo, para prestigiar o aniversário do Teatro. Gabriela estava a caminho do Brasil para cantar com a Osesp, em São Paulo, e de bom grado aceitou esticar até o Rio — conta, orgulhoso, André Heller-Lopes, diretor da montagem e diretor artístico do Municipal.

Desde março, passaram pelo palacete diante da Cinelândia, entre outras atrações, as óperas em concerto “Condor”, de Carlos Gomes, e “Os Contos de Hoffmann”, de Offenbach, recitais dos cantores Fernando Portari e Eliane Coelho e o espetáculo de dança “Be-Marche”, coreografado por Thiago Soares, com balé, orquestra e cantores da casa.

Na cúpula comemora-se o cumprimento da programação prevista, sem os cancelamentos que abalaram temporadas recentes. Mas o Municipal é um mundo: o edifício inaugurado em 14 de julho de 1909 é a parte mais vistosa de uma complexa estrutura, com 92 artistas concursados no corpo de baile, 84 na orquestra e 88 no coro, além de 300 alunos na Escola de Dança Maria Olenewa, mais técnicos e funcionários trabalhando na sede, no anexo atrás do teatro e na Central Técnica de Produção, em Inhaúma. Nos últimos anos, a crise acertou em cheio o teatro. Ainda sob o trauma de 2017, quando os salários atrasaram, e muitos dependeram de cestas básicas, os funcionários encaram o desafio de driblar a escassez para entregar excelência num palco que carrega a memória cultural do país.

Fonte: Globo



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