home > notícias

MUNDO

06/07/2020

100 guitarras a tocarem juntas para os 100 anos de Amália

É uma abertura simbólica, a que foi escolhida para assinalar o início do programa oficial de comemorações do centenário de Amália Rodrigues: 100 guitarristas a tocarem os seus fados. A gravação foi feita nos Paços do Concelho, a sede histórica da Câmara Municipal de Lisboa, onde se reuniram todos os guitarristas participantes com observação das distâncias impostas pela pandemia, e o resultado já pode ser visto desde esta quarta-feira, pelas 12h, nas plataformas digitais do Museu do Fado e da CML.

A génese deste projecto remonta a 23 de Abril de 2019, quando foram inauguradas as oficinas de guitarra no Museu do Fado. Nesse dia, juntaram-se 60 guitarristas e ali tocaram todos juntos. Pedro de Castro, um dos presentes, a quem coube coordenar o encontro, recorda esse dia ao PÚBLICO: “O Presidente da Câmara [de Lisboa, Fernando Medina] estava lá, achou imensa graça e lançou logo o desafio de fazer aquilo na câmara. A Sara Pereira [directora do Museu do Fado] e eu ficámos com alguma vontade de pegar nesta ideia, aproveitando a abertura dele, e fazer qualquer coisa.” A ligação às celebrações de Amália acabou por surgir como hipótese natural, mais tarde. “Pensámos: centenário da Amália, 100 anos, era capaz de fazer sentido ter aqui 100 guitarristas a tocarem para ela.”

Efeito da pandemia

A gravação foi feita em plena pandemia da covid-19, condicionada por ela, mas também só foi possível devido à paralisação dos concertos. “Sem esta pandemia horrível, este concerto nunca existiria”, diz Pedro de Castro, “porque era impossível reunir 100 músicos daquele calibre, porque muitos estariam em viagem, pelo país ou pelo estrangeiro, a trabalhar. Isto é uma coisa que nunca aconteceu e que esperamos que não volte a acontecer.”

Tocam, “todos ao mesmo tempo”, Amália, de Frederico Valério. “Enviei uma gravação da música a todos, porque fizemos isto a nível nacional. Convidei guitarristas do Porto, de Coimbra, não só os de Lisboa, porque o fado e Amália têm dimensão nacional. Depois, dividimo-nos em 12 grupos para revisitar os seus temas mais famosos. E eu, enquanto responsável pela direcção musical, o que fiz foi juntar pessoas com pessoas e organizar os temas para fazer uma viagem o mais completa possível ao repertório dela.”

Com alguns pormenores: “Por exemplo, num dos grupos estão o António Parreira, o Paulo Parreira e o Ricardo Parreira, três gerações de guitarristas. Depois, há um ensemble de oito músicos de Coimbra que tocam o Coimbra. Noutro grupo, o Luís Guerreiro, o Bernardo Couto, o Gaspar Varela [bisneto de Celeste Rodrigues, irmã de Amália] e eu gravámos uma homenagem ao Carlos Gonçalves, porque infelizmente ele faleceu durante esta pandemia (numa altura em que ninguém o pôde homenagear, ninguém se pôde despedir dele) e foi o responsável por uma boa parte do repertório icónico da Amália. E há outras surpresas: por exemplo, juntámos o Banza com o Custódio Castelo e um aluno dele, o Bruno Chaveiro.”

Documento histórico

A reunião de todos estes músicos (com guitarras, violas, violas-baixo e até contrabaixos) foi, para eles, um desafio. “Consegui incutir este espírito: atenção, isto é para a gente se divertir, mas é também um documento histórico. Portanto, não descuremos nos arranjos, isto não é só uma homenagem, é um documento que fica.”

A transmissão, depois da montagem das gravações, deverá começar com Joel Pina, o histórico viola-baixo que acompanhou Amália durante quase três décadas. Pedro de Castro recorda como foi gravá-lo sozinho. “Perguntei-lhe se queria tocar o Amália, e ele começou a tocar a melodia no baixo. E eu nem tirei a guitarra do estojo. Ele tocou sozinho o tema. O Joel, aliás, é o único que vai falar. E é ele que faz a transição para os 100.” Que são mesmo 100 porque faltou um da lista, ficando 99 mais Joel Pina, que fez 100 anos em Fevereiro.”

Para Sara Pereira, directora do Museu do Fado, “fazia sentido arrancar a comemoração com um projecto colectivo.” E isso foi conseguido aqui: “É um programa inédito, com músicos de várias gerações, só possível pelos piores motivos (por muitos deles estarem, devido à pandemia, sem actividade), mas que é um acontecimento único e um testemunho colectivo à grande voz do século XX. Ao legado universal de Amália e àquela que, apesar de todo o mediatismo, é a nossa grande referência e continua próxima de todos nós.”

Fonte: Público



NOTÍCIAS RELACIONADAS
10/08/2020
Teatro Experimental de Cascais estreia peça de Tennessee Williams
10/08/2020
Capital paulista tem cinema drive-in com filmes nacionais gratuitos
10/08/2020
Festival Dias da Música Eletroacústica regressa aos concertos em Seia
10/08/2020
Mostra traz 98 filmes de 24 países sobre questões ambientais e social
10/08/2020
Próxima Feira Medieval de Silves realiza-se em agosto de 2021
10/08/2020
Flip promove ciclo de debates virtuais sobre Elizabeth Bishop