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Portugal tem sido “facilitador” do acordo UE-Mercosul, diz vice-presidente do Brasil

O vice-Presidente brasileiro, Hamilton Mourão, considerou nesta sexta-feira em Luanda que Portugal tem sido um “facilitador do avanço do acordo” entre a União Europeia (UE) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

“Eu vejo, com essa questão principalmente do acordo do Mercosul com a União Europeia, Portugal como um facilitador do avanço desse acordo, que foi algo construído durante 20 anos e que agora aguarda o posicionamento dos parlamentos de diferentes países” europeus, afirmou Mourão, em entrevista à agência Lusa.

Por outro lado, “quando Portugal esteve na presidência ‘pro tempore’ [da UE, primeiro semestre de 2021] Portugal trabalhou ao nosso lado principalmente na questão da sustentabilidade na questão da Amazônia”, destacou o general, vice-Presidente de Jair Bolsonaro.

A recente compra, por parte de Portugal, de cinco aviões militares de carga da brasileira Embraer KC-390, por um total de 827 milhões de euros, foi também saudada por Mourão.

“Isso é importante porque vai colocar o avião na vitrina, num momento em que o principal competidor dele, o C-130, está perdendo a sua vida útil”, salientou, destacando também a forte relação cultural entre os dois países.

“Não desfazemos jamais os laços culturais, acho que isso é uma ligação que não se parte em nenhum momento”, explicou, recordando que é em Portugal que o Brasil tem a sua “origem europeia”. Por isso, concluiu: “Não deixamos mais de manter e estreitar cada vez mais os laços de amizade”.

Segundo Mourão, Brasil mantém os EUA como prioridade diplomática, mas considerou que a diplomacia nacional tem de ser pragmática e flexível na relação com outros países.

“O Brasil tem de agir com pragmatismo e com flexibilidade. Nós jamais deixaremos de reconhecer os Estados Unidos da América como um farol da democracia no mundo ocidental, principalmente desses valores que caraterizam a nossa civilização”, afirmou.

No entanto, é preciso “olhar as outras nações que têm também os seus interesses e os seus anseios”, disse, dando o exemplo da China, uma “potência emergente que desafia […] a hegemonia americana principalmente na questão econômica”.

Apesar de os Estados Unidos constituírem, “a maior potência econômica, militar e tecnológica do mundo”, o Brasil tem “um relacionamento muito grande com a China”. Pequim “tem uma questão-chave que é não permitir que haja insegurança alimentar”. Por isso, o Brasil, que “é um grande provedor de alimentos”, tem de “ter esse pragmatismo, essa flexibilidade” para procurar atender os seus interesses.

Segundo ele, o Brasil também está disponível a colaborar com Moçambique, caso Maputo solicite apoio militar para o combate ao terrorismo islâmico na província de Cabo Delgado.

“Caso haja algum tipo de intervenção de um organismo multilateral, seja das Nações Unidas ou até da União Africana e se for solicitada a participação do Brasil, nós vamos estudar e olhar”, afirmou, em Luanda.

“O Brasil, nos anos 90 já participou numa força de paz em Moçambique”, no quadro das negociações de paz, cabendo mesmo a liderança da missão de capacetes azuis ao general Lélio Gonçalves Rodrigues da Silva.

Grupos armados aterrorizam a província de Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo Estado Islâmico. Há mais de 2.800 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e 732.000 deslocados, de acordo com as Nações Unidas.

Empresariado

Nesta sexta-feira, Mourão esteve em almoço com empresários oferecido pela Embaixada do Brasil em Luanda, discutindo desafios e as potencialidades das relações entre Brasil-Angola na vertente econômico-comercial.

Participaram representantes da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (AEBRAN), da Confederação Empresarial Angolana (CEA) e da Apex Brasil.

O vice-presidente também teve encontro com o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, para discutir cooperação em segurança, defesa e comércio bilateral. Cabo Verde é um dos maiores parceiros do Brasil em projetos de cooperação técnica. Em 2020, o comércio bilateral foi de US$ 25 milhões, segundo o governo.

Política Brasil

Em entrevista, Mourão minimizou as suspeitas de corrupção que envolvem quadros na compra de vacinas contra a covid-19 e afastou qualquer possibilidade de substituir o Presidente Jair Bolsonaro, seja por ‘impeachment’ ou questões de saúde.

Tem havido “muita gritaria”, mas “no final das contas hoje, na minha visão, não existe clima nem dentro do Congresso nem na população brasileira” para um ‘impeachment”, afirmou Mourão, à Lusa, à margem da XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP.

“Continua a existir uma parcela da população que nos faz oposição, mas isso eu considero normal no sistema que nós vivemos”, disse o general.

“Desde o fim do período dos governos militares, todos os Presidentes foram ameaçados com o processo de ‘impeachment’, sendo que dois efetivamente sofreram o processo que foi o Presidente Collor e a Presidente Dilma”, recordou Hamilton Mourão, considerando que a possibilidade de afastamento político do chefe de Estado “faz parte da disputa política no Brasil”.

A situação clínica de Bolsonaro, internado por problemas gástricos, também não é vista como uma razão para substituir o Presidente, afirmou Mourão, que tem estado em permanente contato com o Bolsonaro.

O vice-presidente falou ainda das tensões dentro da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, que já levaram à suspensão da origem brasileira, que criou um problema político entre os dois países.

“Essa questão da Igreja Universal aqui é uma questão que afeta o Governo e a sociedade brasileira pela penetração que essa igreja tem e pela participação política que ela possui [no Brasil], com um partido que é o Partido Republicano, que representa o pessoal da Igreja”, explicou Hamilton Mourão, em entrevista à Agência Lusa, à margem da XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo, em Luanda.

“O Governo brasileiro gostaria que se chegasse a um consenso entre essas duas partes e que aqui o Estado angolano recebesse a delegação parlamentar brasileira que quer vir aqui para tentar chegar a um acordo e a um ponto em que se arrefeça as diferenças que ocorreram”, referiu Mourão.

A IURD em Angola dividiu-se em duas fações, com uma parte, de origem angolana, a contestar a direção brasileira. O Governo angolano acabou por reconhecer o grupo angolano como a legítima representante da instituição religiosa no país, levando muitos pastores e bispos brasileiros a saírem de Angola, por falta de renovação dos vistos, e à suspensão da operação da televisão evangélica Record.

Para o vice-Presidente, é preciso procurar “uma pacificação, apesar de não ser um assunto” que envolva diretamente o Governo brasileiro. Trata-se de uma “questão mais privada”, concluiu ele, que na chegada a Angola, também esteve no Centro Cultural Brasil-Angola.

Ministros CPLP

Também o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França reuniu-se nesta sexta-feira com o chanceler de Angola, Téte António, à margem da reunião do Conselho de Ministros da CPLP em Luanda.

Foi discutido temas consulares e formas de incentivar o comércio e os investimentos, a cooperação em agricultura, segurança e desenvolvimento do Atlântico Sul.

O Ministro brasileiro também participou da XXVI Reunião do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Angola foi eleita para nova Presidência, sendo novo Secretario Executivo, Zacarias da Costa. Foi também aprovado o Acordo da Mobilidade entre países da CPLP.

No dia 17, será realizada a XIII Cúpula da CPLP, com a participação do vice-presidente Hamilton Mourão. O evento celebra os 25 anos de fundação da CPLP e a assinatura do Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados membros.

Fonte: Mundo Lusíada

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