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Calor e suor excessivo em mulheres jovens podem estar ligados à glicose e não apenas à menopausa [BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo]

Oscilações glicêmicas podem ativar o cérebro em modo de alerta e gerar sintomas físicos frequentemente confundidos com ansiedade

 

Episódios de calor súbito, suor intenso, tremores e palpitação em mulheres jovens costumam ser rapidamente associados à ansiedade ou, em alguns casos, à menopausa, seja ela precoce ou não. No entanto, há um fator menos evidente que também pode estar por trás desses sintomas: oscilações da glicose no sangue, especialmente em quadros de hipoglicemia reativa. Ainda assim, é importante lembrar que esses sintomas são inespecíficos e não devem ser atribuídos  automaticamente à glicose sem avaliação adequada. 

 

Nessas situações, o corpo entra em um verdadeiro estado de alerta. A queda da glicose é interpretada pelo cérebro como uma ameaça, desencadeando uma resposta automática do sistema nervoso. Entre os principais sintomas estão sudorese intensa, sensação súbita de calor, tremor, palpitação e ansiedade ou sensação de urgência. Ou seja, embora muitas vezes pareçam emocionais, esses sinais têm origem biológica. 

 

Do ponto de vista neurológico, essa reação está diretamente ligada ao funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por regular funções involuntárias do organismo. Segundo os neurologistas, essa resposta é um mecanismo de defesa do cérebro.

 

“Quando a glicose cai de forma significativa, o cérebro percebe isso como uma situação de risco, porque ele depende muito da glicose como fonte de energia para funcionar bem. Embora represente apenas uma pequena parte do peso corporal, o cérebro é um dos órgãos que mais consome energia. Em adultos, ele utiliza cerca de 20% da energia derivada da glicose do corpo em repouso. Diante dessa queda, o organismo aciona mecanismos de defesa por meio do sistema nervoso autônomo, que controla respostas involuntárias do corpo. É como se o corpo entrasse em modo alerta ou fuga”, explica Dra. Francine Mendonça, neurologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Em quedas mais importantes de glicose, também podem surgir sintomas neurológicos, como sonolência, confusão mental, alteração visual, crise convulsiva ou perda de consciência.

 

Nessa resposta, há liberação de adrenalina, que ajuda a proteger o cérebro e a mobilizar o organismo diante da queda de energia. Ainda assim, é fundamental reforçar que nem todo suor, calor ou palpitação está relacionado à hipoglicemia. Em pessoas jovens, esses sintomas também podem estar associados a ansiedade ou crises de pânico, hipertireoidismo, alterações hormonais, infecções, febre, uso de alguns medicamentos ou substâncias estimulantes, consumo excessivo de cafeína, arritmias, queda de pressão, desidratação, além de condições como a hiperidrose.

 

Para considerar hipoglicemia como causa dos sintomas, o ideal é documental sintomas compatíveis, glicose baixa, no momento do episódio e melhora após a correção da glicemia. Sem essa confirmação, a hipótese deve ser considerada com cautela. 

 

Por isso, quando os sintomas são frequentes, intensos, surgem em repouso ou têm relação com jejum, refeições, exercício físico, uso de medicamentos, perda de peso ou piora progressiva, é importante buscar avaliação médica para investigar a causa. Dependendo do caso, a investigação pode envolver endocrinologista, clínico geral, cardiologista e neurologista.

 

Já sintomas como confusão mental, desmaio, crise convulsiva, dor no peito, falta de ar, perda de força, alteração da fala ou visão, febre com cefaleia importante, rigidez de nuca, piora rápida ou cefaleia súbita e intensa são sinais de alerta. Nesses casos, a orientação é buscar atendimento médico urgente. 

 

Em condições como resistência à insulina, comum na Síndrome dos Ovários Policísticos, o organismo pode apresentar picos e quedas rápidas de glicose ao longo do dia. Essa queda glicêmica, portanto, não é apenas metabólica. Ela também desencadeia uma resposta neurológica, o que explica a intensidade dos sintomas.

 

Ainda assim, essa relação precisa ser avaliada individualmente: nem toda pessoa com SOP ou resistência à insulina apresenta hipoglicemia reativa, e nem todo episódio de calor, suor ou palpitação tem origem glicêmica.

 

Sobre a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo 

 

A BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo é um ecossistema integrado de saúde com 166 anos de atuação, que reúne assistência de alta complexidade, medicina diagnóstica, pesquisa científica, formação de profissionais de saúde e iniciativas de impacto social. Com mais de 300 mil pessoas atendidas por ano, a instituição combina tradição, escala e capacidade técnica a uma visão contemporânea de cuidado, orientada por qualidade assistencial, inovação, sustentabilidade e valorização da vida. 

 

Em São Paulo, a BP opera por meio de um conjunto integrado de frentes assistenciais, diagnósticas e educacionais, incluindo o Hospital BP, o BP Mirante, a BP Medicina Diagnóstica, a BP Vital, a BP Educação e Pesquisa e a Faculdade BP. Na frente de impacto social, atua nacionalmente tanto por meio do Proadi-SUS — programa do Ministério da Saúde do qual faz parte como uma das instituições de excelência reconhecidas pelo governo federal — quanto por meio de iniciativas de investimento social privado, ampliando o acesso, a qualificação do cuidado e a disseminação de conhecimento em saúde. 

 

Essa atuação integrada se reflete em resultados e reconhecimento. A BP foi destacada entre os melhores hospitais do Brasil em rankings internacionais e, em 2025, passou a figurar também entre os Melhores Hospitais Privados da América Latina. Na pesquisa, a instituição também aparece com destaque em especialidades como Neurocirurgia, Ortopedia, Oncologia e Cirurgia Cardíaca. No campo científico, a produção da BP foi reconhecida pelo SCImago Institutions Ranking 2025 entre as mais influentes do país em áreas como Oncologia, Cirurgia e Cardiologia. A instituição ainda executou mais de 30 projetos de impacto social, com alcance superior a 558 mil pessoas em 2.044 municípios brasileiros. 

 

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