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Um C-Suite majoritariamente masculino leva a perdas no mercado corporativo [The Life Curators]
Por Lara Westphalen, CEO e Fundadora da The Life Curators
É inegável que o nível de empregabilidade por parte das mulheres conquistou avanços nos últimos anos. No Brasil, a taxa de participação feminina no mercado de trabalho passou de 34,8%, em 1990, para 52,2%, em 2023, afirma a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paula Montagner.
Mesmo assim, quando se trata de posições de destaque, a discrepância revela um defeito ainda mal resolvido no ambiente corporativo: apenas 38% delas ocupam cargos de liderança, afirma a FIA Business School.
Historicamente, o trabalho privilegia figuras masculinas em papéis centrais. Isso é visível na forma como decisões ainda são tomadas e no consenso deturpado de quais características transmitem aspectos de “seriedade”.
Apesar de as mulheres terem uma gestão considerada excelente por 50% dos entrevistados pela FIA – contra 43% dos homens – executivos não precisam ressaltar o valor de forma constante, enquanto as mulheres ainda devem passar por milhares de avaliações, subjetivas ou objetivas, para chegarem ao mesmo lugar.
As barreiras são muitas. A Barbara Annis Associates define que mais de 80% delas se sentem excluídas no mercado de trabalho. Além disso, dos 400 mil casos de assédio moral e sexual julgados pela Justiça do Trabalho em três anos (2020 a 2023), mais de 72% das ações foram ajuizadas por mulheres, revela o Monitor do Trabalho Decente. Desta forma, o ambiente corporativo se torna uma escada em que, em cada degrau, há uma probabilidade inerente e proposital de queda.
Todos esses aspectos impedem que mulheres em cargos fora da liderança tenham dificuldade de se destacar. Isso caso elas consigam sequer fazer parte dessa fatia.
As mulheres representam a maior taxa de desemprego, 9,2%, contra 6,0% masculina, aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Existe uma luta inicial e que permanece por toda a trajetória profissional. Mesmo conseguindo adentrar o mercado de trabalho, se deparam com situações adversas que podem comprometer o caminho até o topo das organizações. Todos os desafios resultam em um C-Suite – quadro de C’Levels – de maioria masculina. Nesse contexto, um “efeito espelho” impede que o ciclo seja quebrado.
O domínio masculino no C-suite não é apenas uma questão de números; é uma questão de cultura. Líderes masculinos muitas vezes cresceram em ambientes corporativos que não questionam a desigualdade de gênero. Como uma espécie de reflexo, os cargos de liderança continuam sendo ocupados por pessoas que possuem os mesmos valores, experiências e redes de contato. Sem a interrupção, os números citados acima não mudam e o mercado perde muito com isso – a parte boa é que empresas e gestores estão caindo em si sobre o tema.
O aumento no desempenho e lucratividade das empresas está fazendo com que a presença de mulheres no C-Suite se torne uma questão estratégica. Indo além do “certo a se fazer”, considerando que corporações com equipes executivas diversas têm 25% mais probabilidade de superar a média de lucratividade das indústrias, segundo a consultoria McKinsey & Company, a inclusão tem se tornado uma parte essencial para se tornar referência.
Organizações com 30% ou mais de mulheres em cargos de liderança têm 15% mais chance de apresentar resultados financeiros superiores à média do setor, ainda de acordo com a McKinsey. Desta maneira, companhias que investem no desempenho das mulheres estão investindo no sucesso.
Se o objetivo é fazer com que o ecossistema empresarial evolua como um todo, potencializando economias inteiras, o domínio masculino no C-suite é uma realidade que não pode mais ser ignorada. As mulheres devem ter a oportunidade de entrar no mercado de trabalho e ter ganhos profissionais de forma equiparada.Só assim estatísticas serão reduzidas e os negócios poderão desfrutar de expertises decisivas para a evolução.
*Lara K. Westphalen é consultora de organização e produtividade, CEO e fundadora da The Life Curators. Formada em Gestão Estratégica de Marketing – Educação Executiva pela Harvard Business School, iniciou a carreira empreendedora após trabalhar por mais de 10 anos em empresas de marketing, comunicação e outras áreas. À frente da TLC desde 2018, já atendeu mais de 100 clientes de forma individual e em grupo, ajudando as pessoas a organizarem suas rotinas, desde tarefas simples até as mais complexas.
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