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Well-being washing: o falso discurso do bem-estar nas empresas? [Mental One]
Por Mental One, para o blog da Câmara Portuguesa
Nos últimos anos, o bem-estar corporativo se tornou uma pauta central nas empresas — e com razão. Após uma pandemia que expôs os limites da produtividade sem propósito e o impacto do trabalho sobre a saúde mental, falar sobre equilíbrio e qualidade de vida virou não apenas tendência, mas necessidade. No entanto, em 2025, um novo alerta surge no mundo corporativo: o well-being washing — quando empresas comunicam ações de “cuidado com as pessoas”, mas, na prática, não oferecem mudanças estruturais que sustentem esse discurso.
Assim como o “greenwashing” no campo ambiental, o well-being washing acontece quando o bem-estar é usado como ferramenta de marketing ou employer branding, e não como compromisso real com a cultura organizacional. É o caso de campanhas sobre “saúde mental” que se restringem a um post nas redes sociais, palestras pontuais ou ações de Dia do Psicólogo, sem repensar fatores que geram sofrimento no trabalho — como sobrecarga, metas abusivas, ausência de escuta e falta de autonomia.
O resultado é o oposto do desejado: em vez de fortalecer a confiança interna, esse tipo de incoerência mina a credibilidade das lideranças e afasta talentos. Funcionários percebem rapidamente quando o discurso não encontra respaldo na prática. E hoje, mais do que nunca, o público interno e externo valoriza coerência, consistência e verdade.
Well-being com propósito: indicadores de autenticidade corporativa
Para diferenciar uma iniciativa genuína de uma prática vazia, vale observar alguns sinais:
• O tema de bem-estar está integrado à estratégia de negócio ou restrito ao marketing interno?
• Há indicadores claros e acompanhamento de resultados em saúde mental e clima organizacional?
• As lideranças são preparadas para lidar com o tema de forma empática e não punitiva?
• As políticas da empresa promovem equilíbrio ou reforçam jornadas exaustivas disfarçadas de “paixão pelo que se faz”?
Empresas realmente comprometidas com o bem-estar entendem que cuidar das pessoas é parte do seu valor corporativo e social, e não apenas uma tendência. Investem em programas contínuos, abrem espaços de escuta, revisam modelos de gestão e reconhecem que a saúde emocional é também uma questão de ESG — ligada diretamente à governança e ao impacto humano e social das organizações.
O bem-estar genuíno começa quando a empresa decide olhar para dentro, questionar seus próprios hábitos e construir uma cultura de confiança. Porque mais do que comunicar saúde mental, é preciso viver o que se prega.
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