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The Life Curators: A Lei da Nacionalidade levanta uma questão maior: como continuará Portugal a competir pelo talento?

As recentes alterações à Lei da Nacionalidade voltaram a colocar Portugal no centro de um debate que mobilizou empresas, investidores, juristas e a sociedade em geral. Muito se discutiu sobre os aspetos legais da nova legislação, os seus impactos e as diferentes perspetivas sobre quem poderá, no futuro, adquirir a nacionalidade portuguesa.

 

Independentemente das diferentes opiniões sobre o tema, esta discussão levanta uma questão que considero ainda mais relevante para o futuro económico do país.

 

Como continuará Portugal a competir pelo talento num mercado cada vez mais global?

 

Nos últimos anos, Portugal conquistou uma posição de destaque como destino para viver, investir e empreender. A qualidade de vida, a segurança, a estabilidade institucional e a capacidade de atrair investimento internacional fizeram do país uma escolha natural para muitas empresas e famílias de diferentes partes do mundo.

 

Mas essa atratividade nunca pode ser considerada garantida.

 

Segundo a OCDE, a mobilidade internacional de profissionais altamente qualificados continua a crescer, tornando a capacidade de atrair e reter talento um dos principais fatores de competitividade das economias desenvolvidas. Hoje, profissionais, empreendedores e investidores têm cada vez mais liberdade para escolher onde querem viver, trabalhar e desenvolver os seus projetos.

 

Ao mesmo tempo, o Global Talent Competitiveness Index, publicado pelo INSEAD em parceria com o Portulans Institute, demonstra que os países mais competitivos não são apenas aqueles que conseguem atrair talento. São aqueles que conseguem criar condições para que esse talento permaneça, se desenvolva e contribua para o crescimento da economia.

 

Esta realidade altera profundamente a forma como devemos olhar para o desenvolvimento económico.

 

As empresas já não escolhem apenas os países onde pretendem investir.

 

Escolhem também os países onde conseguem recrutar pessoas qualificadas, integrar equipas internacionais e proporcionar qualidade de vida aos seus colaboradores.

 

Da mesma forma, investidores internacionais avaliam muito mais do que indicadores económicos. Avaliam estabilidade, eficiência administrativa, previsibilidade, qualidade dos serviços, educação, saúde e a facilidade com que as suas famílias conseguem integrar-se numa nova realidade.

 

Naturalmente, cada país tem o direito e o dever de definir as políticas que considera mais adequadas para proteger os seus interesses e garantir uma integração responsável.

 

Mas também é verdade que, numa economia global, a competitividade depende cada vez mais da confiança que um país inspira a quem pondera escolhê-lo.

 

O World Economic Forum tem vindo a destacar que a capacidade de desenvolver capital humano será uma das principais vantagens competitivas das economias nas próximas décadas. Num contexto em que o conhecimento, a inovação e a especialização assumem um papel cada vez mais determinante, atrair talento deixou de ser apenas uma questão demográfica. Passou a ser uma estratégia de crescimento económico.

 

Talvez seja precisamente essa a reflexão que este debate nos deve trazer.

 

A questão não é apenas quem poderá obter a nacionalidade portuguesa.

 

A questão é como Portugal continuará a afirmar-se como um país capaz de atrair empresários, investigadores, profissionais qualificados, investidores e famílias que contribuam para o desenvolvimento da sua economia e da sua sociedade.

Porque, no século XXI, os países continuam a competir por investimento.

 

Mas competem, cada vez mais, pelas pessoas que tornam esse investimento possível.

 

Lara Kloosterboer Westphalen

Founder e CEO

The Life Curators

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