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Saúde Mental Feminina em Foco: sobrecarga, invisibilidade e a urgência do autocuidado [BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo]

Dados mostram maior prevalência de ansiedade e depressão entre mulheres e a necessidade de um olhar atento para o impacto da sobrecarga emocional.

 

A saúde mental feminina tem ganhado cada vez mais espaço no debate público e não por acaso. Segundo estudo de setembro de 2025 da Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo, sendo que as mulheres são desproporcionalmente mais afetadas por condições como ansiedade e depressão. No Brasil, esse cenário se confirma: o Ministério da Saúde reforça que a depressão pode atingir até 20% das mulheres ao longo da vida, contra cerca de 12% dos homens, evidenciando uma diferença significativa na prevalência desses transtornos.

 

Para Jônia Lacerda Felício, coordenadora da graduação de Psicologia da Faculdade BP, esse fenômeno não é recente, mas tem se intensificado com as transformações sociais. Na saúde mental, já é um dado clássico que as mulheres apresentam maior prevalência de transtornos como ansiedade e depressão, enquanto os homens tendem a quadros mais externalizantes, como agressividade e uso de substâncias. Segundo a especialista, essa diferença também se relaciona à forma como o sofrimento é vivenciado e expresso, sendo mais internalizado pelas mulheres, que frequentemente lidam com sintomas de forma silenciosa.

 

O adoecimento emocional feminino está diretamente ligado à sobrecarga de papéis. A mulher contemporânea acumula funções profissionais, responsabilidades domésticas e o cuidado com filhos, familiares idosos ou doentes, muitas vezes sem uma rede de apoio estruturada. Trata-se de uma solidão social somada a um acúmulo de responsabilidades, culpa e autocrítica, que pode levar a um estado de estresse crônico e fadiga profunda, contribuindo para que muitas mulheres entrem em um ciclo contínuo de exaustão emocional que acaba sendo naturalizado.

 

Além disso, muitos sinais de sofrimento psíquico ainda são ignorados ou minimizados. Não é apenas a tristeza ou o choro frequente que indicam um possível quadro de depressão, mas também a irritabilidade constante, a falta de prazer em atividades antes consideradas agradáveis, as oscilações emocionais intensas e um cansaço extremo e persistente. Muitas mulheres seguem cumprindo suas rotinas mesmo profundamente afetadas, o que dificulta a identificação precoce e o cuidado adequado.

 

Saber identificar quando o estresse deixa de ser pontual e passa a exigir acompanhamento psicológico é fundamental. Um dos principais sinais é a perda de funcionalidade, quando áreas importantes da vida, como relacionamentos, trabalho e autocuidado, começam a ser impactadas. Sintomas físicos também podem surgir, como alterações no sono, apetite, dores recorrentes e fadiga constante. Quando esses sinais persistem por semanas, já indicam a necessidade de atenção e possível intervenção profissional.

 

As alterações hormonais ao longo da vida feminina também exercem influência direta sobre o humor e o bem-estar emocional. Fases como TPM, gravidez, pós-parto e menopausa envolvem mudanças significativas nos níveis hormonais, impactando neurotransmissores ligados à regulação do humor, o que pode intensificar sintomas de ansiedade, irritabilidade e tristeza e, em alguns casos, evoluir para quadros clínicos mais graves.

 

Os desafios relacionados à saúde mental feminina atravessam diferentes fases da vida. Na adolescência, observa-se o aumento de transtornos alimentares, ansiedade e depressão, frequentemente associados à pressão estética e social. Na vida adulta, somam-se questões como violência de gênero, sobrecarga e maternidade. Já na maturidade, além das mudanças hormonais, perdas e lutos também contribuem para o sofrimento emocional.

 

Apesar de todos esses fatores, o autocuidado ainda é frequentemente negligenciado. Historicamente, a mulher ocupa o papel de cuidadora e tende a se colocar em segundo plano. Em uma sociedade que valoriza a produtividade constante, cuidar da saúde mental ainda pode ser interpretado como fraqueza, o que dificulta a busca por ajuda.

 

A ampliação do debate sobre saúde mental, especialmente após a pandemia, tem contribuído para reduzir o estigma em torno do tema, tornando mais comum falar sobre sofrimento emocional e procurar apoio psicológico. Ainda assim, a ideia de que é preciso lidar com tudo sozinha persiste. Para Jônia Lacerda Felício, buscar ajuda não é sinal de fragilidade, mas de consciência e responsabilidade com a própria vida.

 

A especialista reforça que o autocuidado emocional deve ser visto como prioridade. Cuidar de si é um ato de amor-próprio e também de responsabilidade com a própria vida e com as relações ao redor. Colocar a saúde mental em segundo plano é, na prática, colocar todas as outras áreas da vida em risco.

 

Sobre a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo

 

A BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo é um ecossistema integrado de saúde com 166 anos de atuação, que reúne assistência de alta complexidade, medicina diagnóstica, pesquisa científica, formação de profissionais de saúde e iniciativas de impacto social. Com mais de 300 mil pessoas atendidas por ano, a instituição combina tradição, escala e capacidade técnica a uma visão contemporânea de cuidado, orientada por qualidade assistencial, inovação, sustentabilidade e valorização da vida.

 

Em São Paulo, a BP opera por meio de um conjunto integrado de frentes assistenciais, diagnósticas e educacionais, incluindo o Hospital BP, o BP Mirante, a BP Medicina Diagnóstica, a BP Vital, a BP Educação e Pesquisa e a Faculdade BP. Na frente de impacto social, atua nacionalmente tanto por meio do Proadi-SUS — programa do Ministério da Saúde do qual faz parte como uma das instituições de excelência reconhecidas pelo governo federal — quanto por meio de iniciativas de investimento social privado, ampliando o acesso, a qualificação do cuidado e a disseminação de conhecimento em saúde.

 

Essa atuação integrada se reflete em resultados e reconhecimento. A BP foi destacada entre os melhores hospitais do Brasil em rankings internacionais e, em 2025, passou a figurar também entre os Melhores Hospitais Privados da América Latina. Na pesquisa, a instituição também aparece com destaque em especialidades como Neurocirurgia, Ortopedia, Oncologia e Cirurgia Cardíaca. No campo científico, a produção da BP foi reconhecida pelo SCImago Institutions Ranking 2025 entre as mais influentes do país em áreas como Oncologia, Cirurgia e Cardiologia. A instituição ainda executou mais de 30 projetos de impacto social, com alcance superior a 558 mil pessoas em 2.044 municípios brasileiros.

 

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